quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Fwd: [Bioética e Fé Cristã] Reino de Dios y compromiso etico

    El centro de la predicación de Jesús no es su própria persona, ni tampoco la explicación de la Ley, como podría esperarse de un maestro judío, ni tan siquiera Dios em sí mismo. Anuncia el reinado de Dios. Lo dice de forma programática el evangelista Marcos em un resumen, probablemente redaccional, pero que recoge fielmente la predicación de Jesús:"El tiempo se ha cumplido y el reino de Dios está cerca; convetíos y creed em la Buena Noticia" (Mc 1.15).
    Jesús es un judío que se inscribe em la rica y compleja tradición de su pueblo. Esto es algo em lo que insisten mucho los estudios históricos y teológicos actuales. Y es el gran avance que em  nuestros días está adquiriendo el conocimiento de la tradición judía del siglo I lo que más luz está proyectando para el conocimiento de los evangelios y de la persona de Jesús.  

texto completo em www.bioeticaefecrista.med.br/textos/reino de Dios y compromiso etico.pdf
fonte original: http://origenesdelcristianismo.com/descargas/rafaelaguirre/articulosvariosidiomas/1992a%20reino%20de%20D.%20y%20compromiso%20etico.pdf

Postado no Bioética e Fé Cristã em 1/11/2017

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Fwd: [Crer e Pensar] Estamos lendo Gênesis – e suas afirmações sobre as origens – de forma errada?


Nos últimos anos, John Walton, escritor e professor de Antigo Testamento do Wheaton College, tem sido tão elogiado quanto criticado por sua interpretação de Gênesis 1 e 2.
Sua pesquisa recente tem se concentrado em estudos comparativos entre o Antigo Testamento e escritos do antigo Oriente Próximo, com especial interesse sobre o livro de Gênesis. Walton é um dos convidados internacionais da I Conferência Nacional Cristãos na Ciência, que acontece essa semana (17 a 19) na Universidade Mackenzie, em São Paulo.
Entre os seus vários livros, está O Mundo Perdido de Adão e Eva – o debate sobre a origem da humanidade e a leitura de Gênesis, ganhador do Prêmio Christianity Today Biblical Studies 2016, publicado no Brasil pela Editora Ultimato.

ENTREVISTA | JOHN WALTON

Por Kevin P. Emmert

Ao argumentar que o relato da criação em Gênesis não é sobre origens materiais, você vai contra dois mil anos de interpretação histórica. Isso te faz refletir?
Eu respeito os intérpretes e teólogos do passado. Muitas das minhas ideias podem ser encontradas nos patriarcas da igreja e eu tento trazer algumas delas para a minha pesquisa. Mas, hoje nós também temos informações que a maioria dos intérpretes históricos não tinham, como documentos antigos do Oriente Próximo.

Ao longo da história, teólogos responderam aos desafios de seus tempos. Hoje, nós temos questões diferentes em discussão. Então não é supreendente que eu fale sobre assuntos não abordados por eles. Ainda que minhas conclusões exegéticas sejam diferentes do que muitas pessoas já ouviram, eu não estou questionando nenhuma doutrina básica. Sou essencialmente conservador teologicamente, e firmemente evangélico em minha perspectiva. Eu desejo manter e articular a autoridade das Escrituras.

Ainda assim, eu sinto que essa é uma discussão tão importante que vale a pena sairmos da nossa zona de conforto e tomarmos riscos.

Você interpreta Gênesis de uma maneira que a maioria dos Cristãos não compreende se usarem uma "leitura simples". Como você chegou às suas conclusões?
Eu basicamente olho cuidadosamente para o que a Bíblia afirma. Então eu me pergunto: O que Gênesis realmente diz sobre origens? Nós precisamos ir além de uma leitura casual para descobrir isso. Isso significa que nós precisamos entender a língua hebraica e o mundo antigo do Oriente Próximo. Então, eu analiso profundamente os significados das palavras e frases hebraicas e como os anciãos pensavam sobre origens.

Nós temos vinculado certas coisas que não precisam estar necessariamente vinculadas. Questões como a imagem de Deus, a origem do pecado, o Adão histórico e as origens humanas são importantes. Elas claramente se sobrepõem, mas as pessoas pressupõem que, se você crê em um Adão histórico, por exemplo, você crê em um certo ponto de vista sobre a origem material do homem [uma criação de seis dias literais]. Ou, se você crê no pecado original, você crê em um Adão histórico. O que eu tenho descoberto é que você pode lidar com essas questões individualmente, sem misturá-las. Você pode defender um Adão histórico, mas isso não tem as implicações nas origens biológicas de humanos como muitas vezes se pressupõe.

Por que é importante ler Gênesis à luz do Oriente Próximo Antigo?
A Palavra de Deus foi escrita para nós [para o nosso benefício], mas não destinada [endereçada] a nós. Trazer o texto antigo aos leitores modernos não é apenas atualizar o vocabulário: é necessário compreender a cultura na qual o texto foi escrito. Eu certamente não quero que o contexto do Oriente Próximo Antigo force algo que o texto bíblico não esteja dizendo, mas quando estudo Gênesis, eu pergunto: "Como isso se relaciona ao que encontramos no Oriente Próximo Antigo?".

Por exemplo, será que Gênesis 1 está falando apenas sobre duas pessoas ou sobre pessoas em massa? Se quero saber se Gênesis 1 está falando de dois indivíduos ou de humanos como um todo, leio os relatos do Oriente Próximo Antigo. Claro, eles sempre enfatizam pessoas como um todo. Isto não quer dizer que a Bíblia precisa ser desse jeito, mas, se eu encontro indicações de que a Bíblia está fazendo coisas semelhantes a outros relatos do Oriente Próximo, então isso é revelador.

Nós não nos atrevemos a ignorar documentos do Oriente Próximo Antigo – ou mesmo a ciência. Eles podem nos encorajar a repensar o texto bíblico sem nos coagir a determinadas conclusões. O texto bíblico ainda permanece no comando.

Como que as pessoas do tempo dos escritos de Gênesis se distinguem de nós quanto à forma de pensar sobre origens?
O mundo antigo, inclusive Israel, estava mais interessado em como o mundo era organizado do que em como o mundo foi produzido.

Pense sobre o lugar onde você vive. Você pode falar desse lugar como uma casa ou como um lar. Você pode falar sobre como foi construído, ou sobre como se tornou seu lar, como funciona pra você, como é organizado para a sua família. Tanto uma coisa quanto a outra são importantes, mas são diferentes. Estão inter-relacionadas porque você precisa da casa para ter um lar. Entretanto, os antigos estavam mais interessados na história do lar – como Deus ordenou este mundo para nós.

Eu vejo em Gênesis a história de Deus ordenando o cósmos para funcionar para as pessoas. Ele vai entrar, descansar aqui, habitar aqui e relacionar-se conosco aqui. "Eu irei e prepararei um lugar para vocês", Jesus disse. Essa não foi a primeira vez que Cristo fez isso. Este mundo foi preparado para que nós nos relacionássemos com Deus, "para que também possam estar onde estou" [João 14:3].

No entanto, Gênesis 2 aborda como nós agiremos nesse espaço sagrado em um relacionamento com Deus. Então, o Éden não é apenas um espaço verde, mas também um espaço sagrado. Deus está lá e isso é o que mais importa. Quando Adão e Eva pecaram, eles foram expulsos e perderam acesso à presença de Deus. Era assim que os Israelitas pensavam a respeito e essa questão teológica é muito mais importante do que nossas perguntas sobre origens.

Você está dizendo que as perguntas sobre origens não são importantes?
Não, não estou querendo dizer que não são importantes. Entretanto, essas questões refletem mais nossas formas de pensar do que os pensamentos dos antigos. Questões modernas são importantes, mas nós precisamos reconhecer que algumas vezes elas são diferentes das questões e perspectivas antigas.

De que formas você acredita que os leitores modernos entendem mal o livro de Gênesis?
Somos propensos a dizer, "Essa palavra hebraica significa isso e aquela palavra hebraica significa aquilo". Só que não é tão simples assim. Por exemplo, quando lemos a palavra fazer, tendemos a pensar em atividade material. Porém, se você observar como o verbo em hebreu asah (fazer) é utilizado ao longo das Escrituras hebraicas, perceberá que muitas vezes não se trata de atividade material. Em alguns casos, asah significa "prover" ou "preparar".

Quando lemos sobre Adão sendo colocado em um "sono profundo" e Eva sendo "criada", nós automaticamente pensamos que Adão está sendo anestesiado para cirurgia. Mas, um público antigo não teria pensado dessa forma. A palavra hebraica para "sono profundo" é usada ao longo do Velho Testamento para se referir a uma experiência visionária. Essa é a forma que um leitor israelita teria lido Gênesis 2. Portanto, acredito que esse sono profundo de Adão foi visionário e não uma operação cirúrgica. Em outras palavras, ele vê algo sobre Eva.

Será que a afirmação de que leitores não podem compreender Gênesis propriamente sem saber hebraico e conhecer a cultura do Oriente Próximo Antigo não é só uma forma de elitismo acadêmico?
Não é mais elitismo acadêmico do que reconhecer que alguém tem que traduzir a Bíblia para inglês. Trazer o texto antigo para nós não é só uma questão de atualizar o vocabulário; é uma questão de entender a cultura na qual foi escrito. Nós temos que traduzir não só a língua, mas também a cultura. Nós todos dependemos do conhecimento de outros. Nunca tendo a pensar que o exercício dos dons ou talentos espirituais de alguém seja elitismo. Sou uma mão, não um olho, e outra pessoa é um olho, não uma mão. É assim que o corpo de Cristo funciona.


Eu acredito que Adão foi uma pessoa real, mas, literalmente, ele representa bem mais do que ele mesmo. Ele representa quem somos nós.

O que você quer dizer quando afirma que Adão serve como um arquétipo para a humanidade?
Às vezes confundimos arquétipo com protótipo. Um protótipo é o primeiro de uma linhagem, um modelo para os outros, mas um arquétipo é mais que isso. Ele incorpora e representa algo ou alguém. Então, quando Paulo fala sobre todos nós pecando em Adão, ele está falando sobre Adão como um arquétipo e, claro, Cristo é um arquétipo também [como o Segundo Adão].

Assim, tratar Adão como um arquétipo é explicar como ele tem sido abordado na literatura bíblica. Não é uma análise sobre o fato de ele ter sido uma pessoa real ou não. Eu acredito que Adão foi uma pessoa real, mas, literalmente,ele representa bem mais do que sua própria pessoa. Ele representa todos nós. Genêsis fala mais sobre humanidade e quem nós somos por causa desse indivíduo. Paulo faz a mesma coisa com Adão, então eu acho que estou bem acompanhado.

A igreja histórica afirma que Adão representava a humanidade, que todos nós pecamos com ele (Rom. 5:12). Como, então, a sua perspectiva difere da visão tradicional?

A visão tradicional fala sobre Adão arquetipicamente em relação ao pecado, o que eu concordo. Porém, acredito que Adão também está sendo usado de forma arquetípica com relação às origens humanas. Isto é: quando o texto diz que Adão foi formado do pó da terra, não quer dizer que aquele indivíduo foi formado de pó, e o resto de nós nasceram de mulher. Está dizendo que todos nós somos pó; isso é que é humanidade – adão, hebraico para "humanidade". Nós somos mortais, nós somos frágeis, somos terrenos, somos pó. Não se trata de uma afirmação única sobre Adão; é verdade sobre todos nós.

Você sugere que a declaração de Deus sobre a criação, "bom" e "muito bom" não significa "perfeito". Diz também que Adão e Eva foram criados mortais. Como, então, devemos compreender Romanos 5, quando Paulo sugere que não havia morte antes de Adão?
Quando Paulo foca no porquê os humanos são sujeitos à morte, ele não está preocupado com a morte a nível celular, mas sobre porque somos sujeitos a ela. A resposta é o pecado. Isso não é o mesmo que dizer que Adão foi criado imortal. Geralmente, chegamos a essa conclusão precipitada, mas não faria sentido pessoas imortais terem uma Árvore da Vida. Para mim, isso indica que as pessoas foram criadas mortais e receberam uma remediação para sua condição [comer do fruto da Árvore da Vida], mas quando Adão e Eva pecaram, nós perdemos acesso a isso e por isso somos sujeitos à morte.

Isso significa que havia morte antes de Adão e Eva?Eu penso que sim. O fato de Deus ter criado uma Árvore da Vida sugere que havia morte antes de Adão e Eva. O pecado é a razão de termos perdido acesso a essa remediação e sermos, portanto, sujeitos à morte. Não é que a morte veio a existir quando Adão e Eva pecaram. Eu não sei nem se podemos falar sobre a morte "existir". E não é que animais, plantas e células não experimentassem a morte. A morte em um nível celular é necessária para o desenvolvimento. Para aqueles que estão dispostos a aceitar teorias evolucionistas, a morte anterior à Queda não é um problema. Embora Paulo não esteja abordando as nossas preocupações e problemas modernos, ele não está afirmando algo que os descarta.

Além disso, quando Deus disse, "mas da árvore do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás" [Gênesis 2:17], Ele não quis dizer que eles morreriam dentro de um período de 24 horas. Em hebraico, a expressão "no dia" é uma expressão idiomática para "quando", e a expressão que é traduzida como "certamente morrerás" poderia ser melhor traduzida como "você estará destinado a morrer, condenado à morte" e é importante fazer essa distinção.

Se Gênesis 1 fala sobre humanidade coletiva, sobre quem fala Gênesis 2?
Gênesis 2 foca em dois indivíduos. Não há razão para que eles não estivessem entre o grupo original mencionado em Gênesis 1, mas Gênesis 2 foca apenas nesses dois indivíduos, pois eles serão representantes no espaço sagrado. É dada a eles a tarefa de servir e cuidar – que são obrigações sacerdotais – do Jardim. Eles são escolhidos como representantes sacerdotais. Novamente, isso é uma questão teológica, não uma questão sobre origens científicas. Esse é outro exemplo de como precisamos desvincular coisas que foram colocadas juntas desnecessariamente.

Esses foram os dois únicos indivíduos que tiveram acesso à Árvore da Vida?
Sim, eles receberam permissão para entrar no espaço sagrado como representantes, assim como os sacerdotes servem no espaço sagrado. Não era qualquer pessoa que podia vagar pelo templo. Sacerdotes servem no espaço sagrado e representam as pessoas ali. O papel de um sacerdote não está limitado a praticar rituais. Sacerdotes têm acesso à presença de Deus e mediam a revelação. É isso que eu acredito que Adão e Eva fizeram.

Você afirma que apesar de os primeiros humanos serem inocentes, eles não eram necessariamente sem pecado. O que você quer dizer? Eles erravam moralmente antes de comerem do fruto da Árvore do Conhecimento?A distinção entre inocência e ausência de pecado ou pecaminosidade é importante, e Paulo a faz. Ele diz em Romanos 5, "pois antes de ser dada a lei, o pecado já estava no mundo. Mas o pecado não é levado em conta quando não existe lei". Nesse contexto, o pecado não é tanto uma questão de comportamento, mas sim de ser responsabilizado por certo comportamento. Quando eu digo que os primeiros humanos eram inocentes, estou dizendo basicamente que ainda não eram responsabilizados pelo que faziam. Esse modo de pensar não é desconhecido em discussões teológicas. Nós falamos sobre uma idade de inocência para bebês e crianças. Isso não quer dizer que bebês ou crianças não errem moralmente, mas sim que não estão sendo responsabilizados por cometerem esses erros.

Em relação aos primeiros humanos, a questão é, a partir de que ponto Deus os responsabiliza? Eu penso que isso ocorre no Jardim, quando Ele diz para não comerem do fruto da Árvore do Conhecimento. Se nós pensarmos na Lei da mesma forma que Paulo, então chegar a essa conclusão é razoável.

Então, a Árvore do Conhecimento funcionou como uma lei?
Eu acredito que aquela árvore represente sabedoria e sabedoria nunca é obtida imediatamente. É necessário aprendê-la e obtê-la gradualmente por experiência, através de um relacionamento de mentoria. A Bíblia o faz muito claramente e era isso que Deus queria para os primeiros humanos – que estavam em processo, assim como o resto da criação.

Sabedoria e vida vêm de Deus. Se ele colocar árvores frutíferas para mediar isso, tudo bem: Ele pode fazer isso. Afinal, Ele fez do cabelo de Sansão o mediador para sua força. Mas não vamos perder o foco: sabedoria e vida vêm de Deus e estas não podem ser roubadas dele; são dadas por Ele.

Se os humanos podiam errar moralmente antes de serem responsabilizados, como que Deus não pode ser culpado pelo pecado?
Teologicamente nós dizemos, "Deus não é o autor do pecado". Pecado é uma escolha feita contra Deus. Se Deus dá escolha às pessoas e elas escolhem contra Ele, então elas estão na posição de serem responsáveis por isso. Não é que Deus tenha criado o pecado. Ao contrário, Deus criou a possibilidade de as pessoas fazerem uma escolha diferente daquela que Ele planejou.


Quando tentamos descobrir como Adão e Eva se encaixam em teorias científicas, nós obtemos poucas informações da Bíblia e da ciência.



Quais as implicações que a sua leitura de Gênesis 1-3 tem para nosso entendimento científico moderno das origens?
A visão que eu ofereço é que a Bíblia não faz afirmações que são necessariamente incompatíveis com a ciência. Eu não vejo um abismo entre a Bíblia e a ciência que impede as pessoas de crerem ou que as leva para longe da fé. Isso não significa que tenhamos resolvido tudo, mas nós, às vezes, fazemos a Bíblia dizer coisas que ela não diz com relação a origens humanas biológicas. Quando nós descobrimos o que a Bíblia diz e o que ela não diz, isso ajuda a guiar nossa abordagem para refletirmos sobre ciência. Se eu acredito que a Bíblia exclui uma teoria científica específica, então isso molda minha forma de pensar. Se eu sinto que a Bíblia não aborda uma teoria específica, eu me sinto, portanto, livre para examinar a ciência e ver se parece plausível ou não.

Na sua opinião, a Bíblia exclui a teoria da evolução?
Eu não acredito que a Bíblia faça afirmações que contradizem de forma inerente um modelo evolucionário ou de ancestral comum. Porém, isso não significa que eu, por consequência, aceite essas teorias. Quero dizer: eu não acredito que a Bíblia interferiria em alguém que considerasse essas teorias convincentes.

Quanto à integração da Bíblia com a ciência, deparamo-nos com um grande problema, pois a Bíblia não aborda questões como o desenvolvimento do Homo sapiens, a revolução neolítica, ou o efeito de gargalo. E a ciência não tem como responder quem foram Adão e Eva ou onde eles se encaixam nas teorias científicas dominantes.
Como resultado, quando tentamos descobrir como Adão e Eva se encaixam em teorias científicas, nós obtemos pouca informação sobre a Bíblia e a Ciência e isso leva-me a ser mais cuidadoso. Algumas pessoas se sentem confortáveis tentando colocar Adão e Eva em um cenário ou noutro. Sou mais cuidadoso porque nem a ciência, nem a Bíblia abordam isso. Sinto que há coisas que eu não preciso saber.

Como contamos a história de Gênesis 1-3 para os não-cristãos ou as crianças?
Eu simplesmente diria que Deus fez um lar para nós, um lar que nos dá o que precisamos, um lar onde Ele pode estar e se relacionar conosco. Eu diria que os humanos foram feitos à imagem de Deus, mas que Ele também nos fez frágeis e por isso dependemos dele. Ele nos criou para sermos homem e mulher, da maneira como é a humanidade. Deus fez todas essas coisas maravilhosas. Essa é a fundação, a base. Quando as pessoas começarem a levantar questões científicas, lidarei com elas à medida em que elas forem aparecendo.

Tradução: Maisa Haddad
Revisão: Mariane Shen Yin Lin

Entrevista publicada originalmente pela revista Christianity Today, Vol. 59, n. 2. (Março, 2015). Publicada e autorizada no Brasil por Cristianismo Hoje.

fonte: http://www.ultimato.com.br/conteudo/estamos-lendo-genesis-e-suas-afirmacoes-sobre-as-origens-de-forma-errada?utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=Newsletter+%DAltimas+322+-+22%2F11%2F2016

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Postado no Crer e Pensar em 12/12/2016

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Estamos lendo Gênesis – e suas afirmações sobre as origens – de forma errada?

Nos últimos anos, John Walton, escritor e professor de Antigo Testamento do Wheaton College, tem sido tão elogiado quanto criticado por sua interpretação de Gênesis 1 e 2.
Sua pesquisa recente tem se concentrado em estudos comparativos entre o Antigo Testamento e escritos do antigo Oriente Próximo, com especial interesse sobre o livro de Gênesis. Walton é um dos convidados internacionais da I Conferência Nacional Cristãos na Ciência, que acontece essa semana (17 a 19) na Universidade Mackenzie, em São Paulo.
Entre os seus vários livros, está O Mundo Perdido de Adão e Eva – o debate sobre a origem da humanidade e a leitura de Gênesis, ganhador do Prêmio Christianity Today Biblical Studies 2016, publicado no Brasil pela Editora Ultimato.

ENTREVISTA | JOHN WALTON

Por Kevin P. Emmert

Ao argumentar que o relato da criação em Gênesis não é sobre origens materiais, você vai contra dois mil anos de interpretação histórica. Isso te faz refletir?
Eu respeito os intérpretes e teólogos do passado. Muitas das minhas ideias podem ser encontradas nos patriarcas da igreja e eu tento trazer algumas delas para a minha pesquisa. Mas, hoje nós também temos informações que a maioria dos intérpretes históricos não tinham, como documentos antigos do Oriente Próximo.

Ao longo da história, teólogos responderam aos desafios de seus tempos. Hoje, nós temos questões diferentes em discussão. Então não é supreendente que eu fale sobre assuntos não abordados por eles. Ainda que minhas conclusões exegéticas sejam diferentes do que muitas pessoas já ouviram, eu não estou questionando nenhuma doutrina básica. Sou essencialmente conservador teologicamente, e firmemente evangélico em minha perspectiva. Eu desejo manter e articular a autoridade das Escrituras.

Ainda assim, eu sinto que essa é uma discussão tão importante que vale a pena sairmos da nossa zona de conforto e tomarmos riscos.

Você interpreta Gênesis de uma maneira que a maioria dos Cristãos não compreende se usarem uma “leitura simples”. Como você chegou às suas conclusões?
Eu basicamente olho cuidadosamente para o que a Bíblia afirma. Então eu me pergunto: O que Gênesis realmente diz sobre origens? Nós precisamos ir além de uma leitura casual para descobrir isso. Isso significa que nós precisamos entender a língua hebraica e o mundo antigo do Oriente Próximo. Então, eu analiso profundamente os significados das palavras e frases hebraicas e como os anciãos pensavam sobre origens.

Nós temos vinculado certas coisas que não precisam estar necessariamente vinculadas. Questões como a imagem de Deus, a origem do pecado, o Adão histórico e as origens humanas são importantes. Elas claramente se sobrepõem, mas as pessoas pressupõem que, se você crê em um Adão histórico, por exemplo, você crê em um certo ponto de vista sobre a origem material do homem [uma criação de seis dias literais]. Ou, se você crê no pecado original, você crê em um Adão histórico. O que eu tenho descoberto é que você pode lidar com essas questões individualmente, sem misturá-las. Você pode defender um Adão histórico, mas isso não tem as implicações nas origens biológicas de humanos como muitas vezes se pressupõe.

Por que é importante ler Gênesis à luz do Oriente Próximo Antigo?
A Palavra de Deus foi escrita para nós [para o nosso benefício], mas não destinada [endereçada] a nós. Trazer o texto antigo aos leitores modernos não é apenas atualizar o vocabulário: é necessário compreender a cultura na qual o texto foi escrito. Eu certamente não quero que o contexto do Oriente Próximo Antigo force algo que o texto bíblico não esteja dizendo, mas quando estudo Gênesis, eu pergunto: “Como isso se relaciona ao que encontramos no Oriente Próximo Antigo?”.

Por exemplo, será que Gênesis 1 está falando apenas sobre duas pessoas ou sobre pessoas em massa? Se quero saber se Gênesis 1 está falando de dois indivíduos ou de humanos como um todo, leio os relatos do Oriente Próximo Antigo. Claro, eles sempre enfatizam pessoas como um todo. Isto não quer dizer que a Bíblia precisa ser desse jeito, mas, se eu encontro indicações de que a Bíblia está fazendo coisas semelhantes a outros relatos do Oriente Próximo, então isso é revelador.

Nós não nos atrevemos a ignorar documentos do Oriente Próximo Antigo – ou mesmo a ciência. Eles podem nos encorajar a repensar o texto bíblico sem nos coagir a determinadas conclusões. O texto bíblico ainda permanece no comando.

Como que as pessoas do tempo dos escritos de Gênesis se distinguem de nós quanto à forma de pensar sobre origens?
O mundo antigo, inclusive Israel, estava mais interessado em como o mundo era organizado do que em como o mundo foi produzido.

Pense sobre o lugar onde você vive. Você pode falar desse lugar como uma casa ou como um lar. Você pode falar sobre como foi construído, ou sobre como se tornou seu lar, como funciona pra você, como é organizado para a sua família. Tanto uma coisa quanto a outra são importantes, mas são diferentes. Estão inter-relacionadas porque você precisa da casa para ter um lar. Entretanto, os antigos estavam mais interessados na história do lar – como Deus ordenou este mundo para nós.

Eu vejo em Gênesis a história de Deus ordenando o cósmos para funcionar para as pessoas. Ele vai entrar, descansar aqui, habitar aqui e relacionar-se conosco aqui. “Eu irei e prepararei um lugar para vocês”, Jesus disse. Essa não foi a primeira vez que Cristo fez isso. Este mundo foi preparado para que nós nos relacionássemos com Deus, “para que também possam estar onde estou” [João 14:3].

No entanto, Gênesis 2 aborda como nós agiremos nesse espaço sagrado em um relacionamento com Deus. Então, o Éden não é apenas um espaço verde, mas também um espaço sagrado. Deus está lá e isso é o que mais importa. Quando Adão e Eva pecaram, eles foram expulsos e perderam acesso à presença de Deus. Era assim que os Israelitas pensavam a respeito e essa questão teológica é muito mais importante do que nossas perguntas sobre origens.

Você está dizendo que as perguntas sobre origens não são importantes?
Não, não estou querendo dizer que não são importantes. Entretanto, essas questões refletem mais nossas formas de pensar do que os pensamentos dos antigos. Questões modernas são importantes, mas nós precisamos reconhecer que algumas vezes elas são diferentes das questões e perspectivas antigas.

De que formas você acredita que os leitores modernos entendem mal o livro de Gênesis?
Somos propensos a dizer, “Essa palavra hebraica significa isso e aquela palavra hebraica significa aquilo”. Só que não é tão simples assim. Por exemplo, quando lemos a palavra fazer, tendemos a pensar em atividade material. Porém, se você observar como o verbo em hebreu asah (fazer) é utilizado ao longo das Escrituras hebraicas, perceberá que muitas vezes não se trata de atividade material. Em alguns casos, asah significa “prover” ou “preparar”.

Quando lemos sobre Adão sendo colocado em um “sono profundo” e Eva sendo “criada”, nós automaticamente pensamos que Adão está sendo anestesiado para cirurgia. Mas, um público antigo não teria pensado dessa forma. A palavra hebraica para “sono profundo” é usada ao longo do Velho Testamento para se referir a uma experiência visionária. Essa é a forma que um leitor israelita teria lido Gênesis 2. Portanto, acredito que esse sono profundo de Adão foi visionário e não uma operação cirúrgica. Em outras palavras, ele vê algo sobre Eva.

Será que a afirmação de que leitores não podem compreender Gênesis propriamente sem saber hebraico e conhecer a cultura do Oriente Próximo Antigo não é só uma forma de elitismo acadêmico?
Não é mais elitismo acadêmico do que reconhecer que alguém tem que traduzir a Bíblia para inglês. Trazer o texto antigo para nós não é só uma questão de atualizar o vocabulário; é uma questão de entender a cultura na qual foi escrito. Nós temos que traduzir não só a língua, mas também a cultura. Nós todos dependemos do conhecimento de outros. Nunca tendo a pensar que o exercício dos dons ou talentos espirituais de alguém seja elitismo. Sou uma mão, não um olho, e outra pessoa é um olho, não uma mão. É assim que o corpo de Cristo funciona.


Eu acredito que Adão foi uma pessoa real, mas, literalmente, ele representa bem mais do que ele mesmo. Ele representa quem somos nós.

O que você quer dizer quando afirma que Adão serve como um arquétipo para a humanidade?
Às vezes confundimos arquétipo com protótipo. Um protótipo é o primeiro de uma linhagem, um modelo para os outros, mas um arquétipo é mais que isso. Ele incorpora e representa algo ou alguém. Então, quando Paulo fala sobre todos nós pecando em Adão, ele está falando sobre Adão como um arquétipo e, claro, Cristo é um arquétipo também [como o Segundo Adão].

Assim, tratar Adão como um arquétipo é explicar como ele tem sido abordado na literatura bíblica. Não é uma análise sobre o fato de ele ter sido uma pessoa real ou não. Eu acredito que Adão foi uma pessoa real, mas, literalmente,ele representa bem mais do que sua própria pessoa. Ele representa todos nós. Genêsis fala mais sobre humanidade e quem nós somos por causa desse indivíduo. Paulo faz a mesma coisa com Adão, então eu acho que estou bem acompanhado.

A igreja histórica afirma que Adão representava a humanidade, que todos nós pecamos com ele (Rom. 5:12). Como, então, a sua perspectiva difere da visão tradicional?

A visão tradicional fala sobre Adão arquetipicamente em relação ao pecado, o que eu concordo. Porém, acredito que Adão também está sendo usado de forma arquetípica com relação às origens humanas. Isto é: quando o texto diz que Adão foi formado do pó da terra, não quer dizer que aquele indivíduo foi formado de pó, e o resto de nós nasceram de mulher. Está dizendo que todos nós somos pó; isso é que é humanidade – adão, hebraico para “humanidade”. Nós somos mortais, nós somos frágeis, somos terrenos, somos pó. Não se trata de uma afirmação única sobre Adão; é verdade sobre todos nós.

Você sugere que a declaração de Deus sobre a criação, “bom” e “muito bom” não significa “perfeito”. Diz também que Adão e Eva foram criados mortais. Como, então, devemos compreender Romanos 5, quando Paulo sugere que não havia morte antes de Adão?
Quando Paulo foca no porquê os humanos são sujeitos à morte, ele não está preocupado com a morte a nível celular, mas sobre porque somos sujeitos a ela. A resposta é o pecado. Isso não é o mesmo que dizer que Adão foi criado imortal. Geralmente, chegamos a essa conclusão precipitada, mas não faria sentido pessoas imortais terem uma Árvore da Vida. Para mim, isso indica que as pessoas foram criadas mortais e receberam uma remediação para sua condição [comer do fruto da Árvore da Vida], mas quando Adão e Eva pecaram, nós perdemos acesso a isso e por isso somos sujeitos à morte.

Isso significa que havia morte antes de Adão e Eva?Eu penso que sim. O fato de Deus ter criado uma Árvore da Vida sugere que havia morte antes de Adão e Eva. O pecado é a razão de termos perdido acesso a essa remediação e sermos, portanto, sujeitos à morte. Não é que a morte veio a existir quando Adão e Eva pecaram. Eu não sei nem se podemos falar sobre a morte “existir”. E não é que animais, plantas e células não experimentassem a morte. A morte em um nível celular é necessária para o desenvolvimento. Para aqueles que estão dispostos a aceitar teorias evolucionistas, a morte anterior à Queda não é um problema. Embora Paulo não esteja abordando as nossas preocupações e problemas modernos, ele não está afirmando algo que os descarta.

Além disso, quando Deus disse, “mas da árvore do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” [Gênesis 2:17], Ele não quis dizer que eles morreriam dentro de um período de 24 horas. Em hebraico, a expressão “no dia” é uma expressão idiomática para “quando”, e a expressão que é traduzida como “certamente morrerás” poderia ser melhor traduzida como “você estará destinado a morrer, condenado à morte” e é importante fazer essa distinção.

Se Gênesis 1 fala sobre humanidade coletiva, sobre quem fala Gênesis 2?
Gênesis 2 foca em dois indivíduos. Não há razão para que eles não estivessem entre o grupo original mencionado em Gênesis 1, mas Gênesis 2 foca apenas nesses dois indivíduos, pois eles serão representantes no espaço sagrado. É dada a eles a tarefa de servir e cuidar – que são obrigações sacerdotais – do Jardim. Eles são escolhidos como representantes sacerdotais. Novamente, isso é uma questão teológica, não uma questão sobre origens científicas. Esse é outro exemplo de como precisamos desvincular coisas que foram colocadas juntas desnecessariamente.

Esses foram os dois únicos indivíduos que tiveram acesso à Árvore da Vida?
Sim, eles receberam permissão para entrar no espaço sagrado como representantes, assim como os sacerdotes servem no espaço sagrado. Não era qualquer pessoa que podia vagar pelo templo. Sacerdotes servem no espaço sagrado e representam as pessoas ali. O papel de um sacerdote não está limitado a praticar rituais. Sacerdotes têm acesso à presença de Deus e mediam a revelação. É isso que eu acredito que Adão e Eva fizeram.

Você afirma que apesar de os primeiros humanos serem inocentes, eles não eram necessariamente sem pecado. O que você quer dizer? Eles erravam moralmente antes de comerem do fruto da Árvore do Conhecimento?A distinção entre inocência e ausência de pecado ou pecaminosidade é importante, e Paulo a faz. Ele diz em Romanos 5, “pois antes de ser dada a lei, o pecado já estava no mundo. Mas o pecado não é levado em conta quando não existe lei”. Nesse contexto, o pecado não é tanto uma questão de comportamento, mas sim de ser responsabilizado por certo comportamento. Quando eu digo que os primeiros humanos eram inocentes, estou dizendo basicamente que ainda não eram responsabilizados pelo que faziam. Esse modo de pensar não é desconhecido em discussões teológicas. Nós falamos sobre uma idade de inocência para bebês e crianças. Isso não quer dizer que bebês ou crianças não errem moralmente, mas sim que não estão sendo responsabilizados por cometerem esses erros.

Em relação aos primeiros humanos, a questão é, a partir de que ponto Deus os responsabiliza? Eu penso que isso ocorre no Jardim, quando Ele diz para não comerem do fruto da Árvore do Conhecimento. Se nós pensarmos na Lei da mesma forma que Paulo, então chegar a essa conclusão é razoável.

Então, a Árvore do Conhecimento funcionou como uma lei?
Eu acredito que aquela árvore represente sabedoria e sabedoria nunca é obtida imediatamente. É necessário aprendê-la e obtê-la gradualmente por experiência, através de um relacionamento de mentoria. A Bíblia o faz muito claramente e era isso que Deus queria para os primeiros humanos – que estavam em processo, assim como o resto da criação.

Sabedoria e vida vêm de Deus. Se ele colocar árvores frutíferas para mediar isso, tudo bem: Ele pode fazer isso. Afinal, Ele fez do cabelo de Sansão o mediador para sua força. Mas não vamos perder o foco: sabedoria e vida vêm de Deus e estas não podem ser roubadas dele; são dadas por Ele.

Se os humanos podiam errar moralmente antes de serem responsabilizados, como que Deus não pode ser culpado pelo pecado?
Teologicamente nós dizemos, “Deus não é o autor do pecado”. Pecado é uma escolha feita contra Deus. Se Deus dá escolha às pessoas e elas escolhem contra Ele, então elas estão na posição de serem responsáveis por isso. Não é que Deus tenha criado o pecado. Ao contrário, Deus criou a possibilidade de as pessoas fazerem uma escolha diferente daquela que Ele planejou.


Quando tentamos descobrir como Adão e Eva se encaixam em teorias científicas, nós obtemos poucas informações da Bíblia e da ciência.



Quais as implicações que a sua leitura de Gênesis 1-3 tem para nosso entendimento científico moderno das origens?
A visão que eu ofereço é que a Bíblia não faz afirmações que são necessariamente incompatíveis com a ciência. Eu não vejo um abismo entre a Bíblia e a ciência que impede as pessoas de crerem ou que as leva para longe da fé. Isso não significa que tenhamos resolvido tudo, mas nós, às vezes, fazemos a Bíblia dizer coisas que ela não diz com relação a origens humanas biológicas. Quando nós descobrimos o que a Bíblia diz e o que ela não diz, isso ajuda a guiar nossa abordagem para refletirmos sobre ciência. Se eu acredito que a Bíblia exclui uma teoria científica específica, então isso molda minha forma de pensar. Se eu sinto que a Bíblia não aborda uma teoria específica, eu me sinto, portanto, livre para examinar a ciência e ver se parece plausível ou não.

Na sua opinião, a Bíblia exclui a teoria da evolução?
Eu não acredito que a Bíblia faça afirmações que contradizem de forma inerente um modelo evolucionário ou de ancestral comum. Porém, isso não significa que eu, por consequência, aceite essas teorias. Quero dizer: eu não acredito que a Bíblia interferiria em alguém que considerasse essas teorias convincentes.

Quanto à integração da Bíblia com a ciência, deparamo-nos com um grande problema, pois a Bíblia não aborda questões como o desenvolvimento do Homo sapiens, a revolução neolítica, ou o efeito de gargalo. E a ciência não tem como responder quem foram Adão e Eva ou onde eles se encaixam nas teorias científicas dominantes.
Como resultado, quando tentamos descobrir como Adão e Eva se encaixam em teorias científicas, nós obtemos pouca informação sobre a Bíblia e a Ciência e isso leva-me a ser mais cuidadoso. Algumas pessoas se sentem confortáveis tentando colocar Adão e Eva em um cenário ou noutro. Sou mais cuidadoso porque nem a ciência, nem a Bíblia abordam isso. Sinto que há coisas que eu não preciso saber.

Como contamos a história de Gênesis 1-3 para os não-cristãos ou as crianças?
Eu simplesmente diria que Deus fez um lar para nós, um lar que nos dá o que precisamos, um lar onde Ele pode estar e se relacionar conosco. Eu diria que os humanos foram feitos à imagem de Deus, mas que Ele também nos fez frágeis e por isso dependemos dele. Ele nos criou para sermos homem e mulher, da maneira como é a humanidade. Deus fez todas essas coisas maravilhosas. Essa é a fundação, a base. Quando as pessoas começarem a levantar questões científicas, lidarei com elas à medida em que elas forem aparecendo.

Tradução: Maisa Haddad
Revisão: Mariane Shen Yin Lin

Entrevista publicada originalmente pela revista Christianity Today, Vol. 59, n. 2. (Março, 2015). Publicada e autorizada no Brasil por Cristianismo Hoje.

fonte: http://www.ultimato.com.br/conteudo/estamos-lendo-genesis-e-suas-afirmacoes-sobre-as-origens-de-forma-errada?utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=Newsletter+%DAltimas+322+-+22%2F11%2F2016

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Fwd: [Bioética e Fé Cristã] Disforia de Gênero - posicionamento Christian Medical Fellowship (Reino Unido)

Changing views of transsexuality are making waves in popular culture, politics and medicine. This File examines these developments from a Christian and scientific perspective and will be of interest to health professionals, pastors, churches, organisations and families relating to people with gender dysphoria (previously gender identity disorder). It updates a previous CMF File. (1) 

Bruce Jenner, American Olympic gold medal-winning decathlete, made headline news in 2015 when he publicly announced his transition to a female, Caitlyn Jenner. In 2016, nominations for BAFTA awards included The Danish Girl, a film loosely based on the life of Einar Wegener, a Dutch painter in the 1920s who transitioned to Lili Elbe and became one of the first to undergo reassignment surgery, from the complications of which she tragically died.

Transgender people - those who identify with a different gender to the one assigned to them at birth - were first given legal recognition in their new gender under the terms of the UK Gender Recognition Act 2004. (2) To acquire Gender Recognition Certificates they had to have been medically diagnosed with significant dysphoria (discomfort or distress as a result of a mismatch between their biological sex and gender identity (3)) and to have lived successfully for at least two years whilst presenting themselves in their acquired gender.

The Equality Act 2010 (4) made it unlawful to discriminate against transgender people and the Marriage (Same Sex Couples) Act 2013 (5) made it possible for an opposite-sex marriage to continue following one partner's gender transition, given the agreement of the other. 

A recent parliamentary committee report called for a move away from viewing transgender identity as a disease or disorder of the mind, and replacement of the present medicalised process with a simplified administrative procedure based on selfdeclaration by the individual applicant, free of intrusion by medical and legal personnel. The same report proposed that 16- and 17- year-olds should be eligible to apply for gender recognition, that children should be able to use puberty-blockers and cross-sex hormones earlier, and that Government should move towards 'non-gendering' official records. (6)

Changes in the law reflect changes in public attitudes and culture and have their counterparts in professional guidelines. The US Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fourth Edition (DSM-4, 1994) referred to cross-gender identification as 'Gender Identity Disorder'. (7) In the Fifth Edition (DSM-5, 2013) (8) the same phenomenon is described as 'Gender Dysphoria', shifting the emphasis from gender incongruence as a disorder to the distress (dysphoria) associated with the experience of that incongruence: 'It is important to note that gender nonconformity is not in itself a mental disorder. The critical element of gender dysphoria is the presence of clinically significant distress associated with the condition'. (9)

This change appears to have been ideologically driven, the aim being to de-pathologise gender incongruence. A minority of psychologists and psychiatrists dispute the reclassification, preferring to see gender identity disorder as a body image disorder whereby a person may have an unshakeable conviction that they are one gender when in fact they are the other.
The General Medical Council (GMC) has produced guidance for doctors treating transgender patients (10) and the Royal College of Psychiatrists published its 'UK Good Practice Guidelines' in 2013. (11)




Postado no Bioética e Fé Cristã em 10/18/2016